Resenha: Donnie Darko (2001)

donnie-darko

5-estrelas

Título: Donnie Darko

Ano: 2001

Gênero: Mistério/Ficção Científica/Drama

Diretor: Richard Kelly (II)

País de Origem: EUA

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Zf-ra904rrw

 

Donnie Darko (Jake Gyllenhaal) é um adolescente que, por sofrer de sonambulismo e ter comportamentos excêntricos, foi diagnosticado com esquizofrenia e vive a base de remédios e terapias. Ele tem problemas com a família e despreza grande parte dos colegas da escola, menos Gretchen Ross (Jena Malone), uma jovem também incompreendida com quem se envolve.

Certa noite, Donnie se depara com a aparição de um coelho gigante e monstruoso chamado Frank, que salva a sua vida o acordando minutos antes de uma turbina de avião cair em sua casa, exatamente na sua cama. O coelho diz ser capaz de prever o futuro e revela que o fim do mundo acontecerá dali a 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos, exatamente na noite de Halloween do ano em questão, 1988.

Impressionado com o que aconteceu, as visões da estranha criatura se tornam constantes e Donnie fica cada vez mais influenciado por Frank. Assim, acreditando que pode mudar a profecia, ele começa a estudar metafísica e ler sobre viagens no tempo com o intuito de tentar mudar os acontecimentos do passado e do futuro . Só que o garoto passa a agir de forma cruel e coisas estranhas começam a acontecer, confirmando a teoria apocalíptica.

Escrito e dirigido pelo alucinado Richard Kelly, de filmes como “A Caixa” (2009), o longa apresenta uma narrativa bastante complexa, podendo ser necessário vê-lo mais de uma vez para captar a essência da história. O roteiro não segue uma ordem convencional e é repleto de filosofias e críticas ao estilo de vida norteamericano e seu efeito sobre a sociedade em geral e também ao ensino alienado de algumas escolas e as certezas religiosas. Além disso, levanta inúmeros questionamentos sobre a nossa relação com o tempo e a morte.

O filme é tão bem construído que cada cena e diálogo se tornam essenciais para o entendimento do enredo. E com a construção dos personagens não foi diferente. O protagonista é uma figura extremamente complexa que faz com que fiquemos na duvida dos nossos próprios sentimentos em relação a ele. Ao mesmo tempo em que comete atitudes violentas, Donnie se torna especial ao mostrar ser diferente das pessoas em geral e não se contentar com o conformismo. Ele questiona todos os valores impostos pelos formadores de opinião, sejam eles pessoas ou veículos. Isso é mostrado em várias cenas, como quando ele discute com uma professora por não concordar com o seu lema de que a vida é representada por apenas dois extremos: o amor e o medo.

Já a figura misteriosa de Frank é a mais fantástica do filme. O diretor nos faz questionar se ele é uma representação do inconsciente mais obscuro do ser humano, aquele que nos leva a ter atitudes incompreensíveis e irreconhecíveis algumas vezes, ou se ele é apenas fruto da imaginação de Donnie devido aos seus problemas psicológicos. O grande questionamento do espectador é exatamente esse. Até que ponto tudo aquilo era verdade? Até que ponto devemos duvidar da sanidade de uma pessoa dita com transtornos mentais?

E é justamente entre Donnie e Frank que acontece um dos diálogos mais marcantes do filme:
Donnie: “Por que você está vestindo essa fantasia idiota de coelho?”
Frank: “Por que você está vestindo essa fantasia idiota de homem?”

O elenco foi muito bem escolhido e conta com a participação de grandes nomes como Drew Barrymore, que inclusive produziu o filme, Patrick Swayze, o famoso galã de “Ghost” (1990) e “Dirty Dancing” (1987), e Jena Malone, famosa pela atuação em filmes mais independentes como “Galera do Mal” (2003) e “Na Natureza Selvagem”(2007). Mas é claro que o destaque vai para Jake Gyllenhaal. O ator, que na época estava com vinte anos, está incrível como Donnie. Suas expressões refletem perfeitamente sua confusão mental e seu sofrimento, além de estar com uma obscura e mórbida aparência.

Outro destaque do longa é a trilha sonora, que é repleta de clássicos dos anos 1980, respeitando a época em que se passa a história. Músicas como “Mad World” na versão do americano Gary Jules, e outras de Tears for FearsINXSDuran DuranJoy DivisionEcho & the Bunnymen etc ajudam a criar o clima apropriado para cada cena, desde as mais sombrias, até as melancólicas e sentimentais.

Donnie Darko” é um filme nada tradicional que brinca com os conceitos de passado, futuro e presente. Além disso, nos faz questionar sobre os nossos próprios monstros interiores e ainda é recheado de fortes críticas à sociedade. Seu grande mérito está no fato de nos convidar para sair da zona de conforto e promover reflexões, permitindo que cada um tenha a sua própria interpretação. Afinal, assim como na vida real, precisamos sozinhos buscar as respostas para as nossos próprios questionamentos.

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